sexta-feira, 21 de abril de 2017

Reflexões sobre o Deus grego e o Deus cristão



Reflexões sobre o Deus grego e o Deus cristão. Aristóteles como grande sistematizador da história do pensamento grego e, portanto, ocidental em sua "filosofia primeira" ou metafísica como queira dá novas perspectivas às aporias acerca do ser que seus antecessores chamaram de Deus. Para ele não é a água como queria Tales, nem o fogo como propos Heráclito, o obscuro. Aristóteles, de certa forma, abandona as concepções platônicas e teológicas que se alimentava mais de fé do que de "lógos" e, para ele, Deus é mais que o "sumo bem", ou o Demiurgo de Platão. Deus é Motor Imóvel, que sem se mover atrai para si as coisas como o ser amado atrai o amante sem precisar fazer nada. Sendo bem superficial, o Deus de Aristóteles e, portanto, o Deus grego, com efeito, ele não se move em direção às coisas. Ele não quer e não precisa se relacionar com os homens, ele não ama, ele nunca ama, é apenas objeto de amor do amante.

Paradoxalmente, o Deus cristão ama, ele sempre ama, o homem é o seu objeto de amor. É entendível quando Paulo (apóstolo) prega seu sermão ao "deus desconhecido" no Areopágo os gregos que na ocasião estavam presentes, alguns riram dele, outros disseram "queremos ouvir sobre isso em outra ocasião" e, finalmente, alguns acreditaram nele. O fato de alguns na ocasião não acreditar e corresponder com um certo sarcasmo se dá por motivos óbvio, para um grego era inadmissível um Deus que se preocupasse com os seres humanos, que buscasse se relacionar com os homens, o absurdo chega ao seu ápice quando Paulo diz: "Deus se fez carne, morreu e ressuscitou". Tenho fortes razões para crer porque em outra ocasião Paulo escreveu, dessa vez aos Romanos, que a palavra da cruz era "loucura para os gregos", mas para aqueles que cressem, tanto judeus como gregos, Cristo, (o lógos encarnado), concluiu Paulo é o "poder de Deus, e sabedoria de Deus." Essa será portanto, a matriz de todo pensamento filosófico cristão do período medieval e, portanto, meu próximo objeto de estudo.

Rodrigo Venceslau