quinta-feira, 17 de novembro de 2016


Usarei a minha humanidade para salvar a sua eternidade.

Hipoteticamente se a mulher samaritana perguntasse a Jesus qual seria a proposição que ele usaria para justificar seu ato generoso de se revelar a ela em pleno meio dia no poço de Sicar na cidade de Samaria. Tenho fortes razões para crer que ele lhe diria - usarei a minha humanidade para salvar a sua eternidade.
João 4.4 "E era-lhe necessário passar por Samaria."
Esse versículo revela o quanto organizado Jesus foi e como controlava sua agenda que já era bem cheia e o tempo tão pouco para atender a tantos. Ele estava na Judéia e tinha um compromisso para atender na Galileia, mas antes, porém "era-lhe necessário passar por Samaria". O que é lindo nessa narrativa, e mais surpreendente, é que a revelação, nesse caso especifico, não vem de cima para baixo, mas ela começa em baixo e eleva alma necessitada da mulher para cima, para Deus.  Jesus não se revela à mulher em sua divindade, mas começa o diálogo com ela em sua humanidade (tenho sede): "Dá-me de beber". Como as histórias interessantemente se cruzam, os paradoxos dinamicamente se entrelaçam. Note Jesus tinha uma necessidade humana, matar a sua sede. A mulher tinha uma necessidade espiritual matar a sua sede. Os dois estavam com sede. Jesus muito provavelmente por ter caminhado a manhã inteira pelas terras áridas da palestina. A mulher por ter caminhado uma vida toda e nunca ter encontrado sentido para sua vida.
Será que Jesus a abandonaria por ela estar literalmente no pecado? Ela tentou ser feliz por cinco vezes e levou cinco viradas de costas, tentou ser amada por cinco vezes e por cinco vezes foi rejeitada. Atualmente, mesmo de forma errada, ela buscava de alguma maneira preencher a sua necessidade de amor e felicidade, se encontrava envolvida em um relacionamento extraconjugal. Por gentileza, ao ler o evangelho de João capitulo 4 não esqueça de levar em consideração o contexto histórico, ou seja, a sociedade machista da época.

Pecado (no grego - errar o alvo) Só se erra na vida de duas formas:

1. Quem tenta acertar, mas erra;
2. Quem tem capacidade de acertar, pode acertar, mas erra porque quer errar.

A diferença não está no pecado, mas sim na atitude do pecador. Jesus disse a mulher "você falou a verdade (não tenho marido), você teve cinco maridos, o que você tem agora não é seu", um encontro com a verdade é suficiente para exalar sinceridade. Vale a pena salientar que a mulher não era uma promiscua do tipo – estou revoltada agora vou por para ferver e pegar todo mundo (ela foi casada cinco vezes), ela foi ao altar cinco vezes, toda a cidade de Samaria a conhecia, a vergonha e decepção era parte da sua vida, porque você acha que ela foi ao meio dia, o pior horário do dia, buscar água? Muito provavelmente ela pensava – me expus demais, eu amei só os certinhos e eles fizeram tudo errado comigo, será que esse errado não pode vir ser o certo na minha vida? (Risos) ... que história né?
O ápice da história está no fato de que Jesus não a rejeita, os homens sim, mas Jesus não, mesmo sendo ela pecadora. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." (Romanos 5.8) E para provar isso ele começa pela sua humanidade, ele encarna. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14) O “Verbo” de Deus veio até nós, o pensamento puro de Deus se manifestou a nós e nos revelou a sua glória, o pai da eternidade se limita ao tempo, as horas, as agendas, a sensação de sede; tudo para nos pegar pelas mãos, olhar nos nossos olhos e dizer "eu compreendo você, eu sei o que é sentir dor, eu sei o que é sentir sede”, venha vamos comigo ao encontro de Deus - Eu sou Deus" e assim Jesus dá novamente aquela mulher todo o sentido de viver, a “água” espiritual e a libertadora felicidade.


Rodrigo Venceslau

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